Homem de Deus, Homem do Povo!

"Tenho certeza que escrever ou falar sobre o Padre Aldo é, ao mesmo tempo, fácil e difícil.  

 

Fácil porque há muito para dizer dele. Difícil porque não deixar nada de lado é complicado.

 

Conheci o Pe. Aldo quando eu era ainda pequeno. Devia ter uns quatro anos quando minha mãe me trazia à missa, bem cedinho, na capela do ISE, então matriz da paróquia de Santa Terezinha.

 

Padre Aldo era magro, com barba e cabelos bem pretos. Assumiu a paróquia em meados de 1948 e foi seu pároco até a morte em 1983. Fui seu coroinha desde os meus seis anos.

 

Ele me encaminhou para o seminário. E com outros seminaristas da época e muitos outros meninos nos ensinou a desentortar pregos que se utilizavam na feitura de brinquedos para o Natal, nos ensinou a varrer pátios, escadarias, a lavar banheiros...

 

E nos propiciava muitíssimos momentos no recreio que programava.

 

Cunhou-se, à época, a expressão “Vou no padre”! para dizer do seu cuidado em oferecer a crianças e adultos momentos de lazer e aprendizado. Quem não se lembra do bar, do salão de jogos, do campo de bocha, da quadra de futebol de salão, da sala para as moças escutarem música e aprenderem corte e costura.

 

Fui o primeiro padre da paróquia e que festa ele preparou!

 

Mas vale lembrar algo marcante no seu agir sacerdotal: o interesse pela formação integral.

 

Ele cuidava da formação na fé (com o auxílio importante do Pe. Donato) e se esmerava, também, no que se referia à formação integral. Recordo-me das suas ameaças de levar a polícia na casa de quem não colocasse as crianças na escola!

 

Ouvi dele, muitas vezes, que era preciso construir igrejas, mas era necessário, também, construir escolas!

 

Creio que, de alguma forma, Pe. Aldo era um homem para além do seu tempo. Vejo concretizadas nele as linhas daquilo que em nossos dias o Papa Francisco pede: uma Igreja que vá ao encontro, que não fique trancada. Ele não era do mandar fazer e esperar. Ele punha a mão na massa, literalmente.

 

Quem não se lembra dele sobre os andaimes, com aquele roupão que um dia tinha sido preto (ou azul)?

 

Vale lembrar nestas poucas linhas o seu grande coração. Tinha fama de bravo. Mas quem o conheceu de perto e fez parte de sua comunidade sabe que era só por fora. Amava o seu povo. E deu toda sua vida por ele.

 

Tenho orgulho de ter convivido com ele. Assim como eu, todos os que o conheceram. Que sua lembrança nos ajude a imitar o seu exemplo".

 

Monsenhor Giovanni Barrese

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"Católico! Não gostaria de doar a Deus um filho padre?
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